Na terceira semana, ele lembrou do nome da minha gata.
Eu tinha falado uma vez. De passagem. Num áudio.
Ele lembrou.
Mandava bom dia antes das sete. Às vezes antes de eu acordar.
Sabia que eu tinha medo de dirigir na chuva. Quando chovia, perguntava se eu tinha chegado bem.
Um dia falou de uma viagem pra praia.
"No verão. Nós dois."
E durante um tempo eu achei que tinha dado sorte.
Achei que finalmente tinha encontrado alguém que sabia o que queria.
Em março, o bom dia chegou às dez.
Em abril, chegou às vezes.
Em maio, era eu que mandava primeiro.
Não teve briga. Não teve conversa. Não teve um dia em que eu pensei: "pronto, acabou."
A viagem do verão nunca mais apareceu.
Nem pra ser desmarcada.